Memórias Literárias - Guilherme 6ªB
Meu nome é Ivanilde Giopato. Tenho 71 anos e moro em São Paulo.
Quando era jovem, me formei em Pedagogia e iniciei uma nova carreira. Fui diretora e professora da Pré-Escola.
Eu gostava de ir a discotecas para dançar samba, pagode, cha cha chá e baião.
Na minha infância eu participei da Segunda Guerra Mundial. Tinha que sair às cinco horas da manhã para ficar na fila dos pães duros e do açúcar mascavo, pois o refinado não existia.
Quando tinhs 6 anos, eu gostava de cozinhar alcachofra recheada e de assistir ao filme “O fantasma da Ópera”.
Na minha juventude, não queria me casar, pois tinha sobrinhos para cuidar e, quando me formei, eu adorei o Baile de Formatura. Sempre que ia para a casa da tia, eu adorava comer a feijoada e gostava das plantas que ela tinha no quintal. A minha planta preferida era a folha palma.
Sempre gostei de ir à Igreja Católica, embora a minha mãe fosse espírita.
Na escola, adorava jogar vôlei e meu pai gostava de futebol.
Mas a coisa que mais marcou a minha vida foi perder os meus pais.
(Texto do aluno Guilherme Fiorillo Giopato, da 6ª B, escrito com base no depoimento de Ivanilde Giopato, de 71 anos)
Crônicas - Valquíria 8ªA
Assim de um modo simples e sensato, sem você querer dizer, nasce uma crônica, sem ao menos aprender a compreender.
Foi desse modo que criou aquela crônica, ela, que não se mede pelo saber e sim pelo que quer ser.
Começa em um momento especial daquela vida, como se só existisse apenas um e, sim, um de muitos bons momentos.
Sendo estranhamente diferente, sei o que ele queria entender, acho que sou a única.
Mas o que ela queria dizer, ninguém podia saber. Isso parece estranho, mas ela olhava diretamente para o topo daquela árvore, como se tivesse alguém lá em cima, mas ninguém conseguia saber quem lá estava.
Naquela rua afastada e muito bagunçada, mas em um canto verde de um simples começo, existe alguém que ainda é feliz, como se no cinza amarelado de uma cidade grande só existissem os dois. E como ele poderia falar se ela nem o deixava respirar?
De vez em quando, passava por lá e via a cena que não dá pra explicar. Era um gato que ela tentava salvar. Mingau era seu nome e, se ele falasse, gritaria e correria dali, pois a menina, que não sabe muito, o perseguia, sem deixá-lo ao menos miar.
E o gato, em um miado engraçado, desceu da árvore e foi miando, reclamando com ela que falou que “se fosse meu gato, ele iria me amar”.
E ouvindo ela dizer isso, risos engraçados, logo comecei a dar.
Agora, que sempre passo por lá, vejo essa estranha cena se propagar, mas, se eu fosse o gato, iria cobrar um pouco de liberdade, pelo menos naquele pequeno canto verde da cidade.
Crônicas - Fernanda 8ªA
Crônica... Como escrever uma? Boa pergunta... Pra mim, a crônica deve falar de algo que achamos importante. Não precisa ser algo grandioso, pois, às vezes, as pequenas coisas é que merecem ser gravadas na eternidade, ou pelo menos durante o tempo em que forem verdadeiramente importantes.
No lugar onde vivo, São Paulo, acontecem coisas terríveis, incríveis, aterrorizantes, como o leitor desta crônica poderá perceber.
Alguns poderão achar que o fato exposto a seguir é de mínima importância, mas ao vê-lo, pensei em tantas coisas, que achei que ele merecia ser escrito.
Estava assistindo televisão, quando a notícia passou... “Mais uma pessoa é vítima do frio em São Paulo...”. Vocês devem estar se perguntando: “E o Kiko?”, mas se pensarem e imaginarem o que eu imaginei, entenderão.
Se nós nos colocarmos no lugar dessa pessoa e tentarmos imaginar a sua vida, entenderemos o que ela passou. A fome, a humilhação... Quantas vezes ela não teve que brigar pelo pão adormecido de cada dia?
Como será que essa pessoa chegou a esse ponto? Será que ela nasceu aqui em São Paulo? Será que ela veio de outro Estado? O que será que aconteceu com ela? E o que será que acontecerá após a sua morte?
Esta última pergunta tomou a minha mente. Logo, lembrei-me do livro que li nas férias, “As crônicas de Nárnia”. O último capítulo fala da morte, do fim e do “Paraíso”. Nesse livro, as personagens chamam de “País de Aslam”, o lugar para onde as pessoas vão quando a história chega ao fim, para a verdadeira história começar.
Pensei em para onde ela iria e se tinha sido boa ou má. Caso tivesse sido boa, iria para o “País de Aslam” e seria feliz, não sentiria fome, sede ou frio e faria o que milhões de pessoas querem: conheceria Jesus. Caso tivesse sido má, parte do que fez já teria sido paga em vida e essa seria uma das explicações de sua provável vida sofrida. A outra parte seria paga no lugar de que todos têm medo. Porém, como todos têm direito a uma segunda chance, talvez essa pessoa também tivesse.
Lembrei-me dos moradores de rua que vivem perto da minha casa e pensei no que teria acontecido com eles. O pior é que, para a maioria das pessoas, é como se eles não existissem. Caso tivessem morrido nessa fria noite, talvez ninguém notasse sua falta. Alguns desses moradores de rua têm filhos e, se algo acontecesse com eles, o que seria de sua prole? Ficaria jogada no mundo e também morreria, como os pais? E os filhos dos filhos? Esse ciclo continuaria até alguém tomar uma atitude, ou as crianças viveriam sem orientação, pra depois morrerem e as pessoas falarem que elas não lutaram e nem tentaram o suficiente?
O lugar onde eu vivo, São Paulo, sofre, muitas vezes, com o grande frio e essa pessoa morreu por não conseguir se aquecer o suficiente!
Pobre pessoa, pobres pessoas. Não sei como serão seus enterros, mas espero que tenham o que merecem e que, se foram pessoas humildes em vida, sejam felizes, para onde quer que forem...
Memórias Literárias - Beatriz Yuni 6ªC
Fumie Ishizuka é meu nome, mas, quando cheguei ao Brasil, mais precisamente em São Paulo, depois de ter que repetir várias vezes meu nome para todos aqueles com quem eu conversava, resolvi adotar um outro: Ana. Esse procedimento era comum entre os nipodescendentes.
Além de ser um nome bonito, era o único que minha língua pesada de japonesa conseguia pronunciar aqui nesse lugar onde passei a viver.
Como um peixe fora d’água, levei meses me adaptando e arrumei moradia com alguns parentes da minha cidade natal. Depois, fiz amizades não só com meus conterrâneos, como também com alguns poucos brasileiros.
Até emprego eu arrumei e foi como professora de Japonês para descendentes.
Um dia, caminhando por uma rua aqui do bairro da Vila Mariana, cruzei com uma placa, cujo escrito me era familiar. Ela dizia: KARAOKÊ – divertimento em que alguém do público canta ao microfone.
Resolvi entrar e depois de um tempo comecei a freqüentar o lugar. Participei de alguns concursos de karaokê e venci todos eles.
Certo dia, fui avisada de que teria um concurso de karaokê em São Paulo e soube que muitas pessoas haviam se inscrito.
Decidi me inscrever também e o páreo foi duro, pois estava concorrendo com pessoas muito mais experientes do que eu.
Por incrível que pareça, consegui passar em todas as etapas, até que cheguei à final.
Nessa última etapa, eu competiria com outras mulheres, as quais, quando cantavam, mais pareciam ter a pronúncia da voz de Deus. Naquele momento, é claro que fiquei aterrorizada.
Para dar um estímulo maior a nós, candidatas, logo após a nossa apresentação aos jurados, exibiram-nos o troféu. Para mim, aquele troféu dourado era muito mais que um pedaço de plástico e metal: era a coroação da minha nova vida, de modo que resolvi que ele seria meu.
Quando os jurados nos deram as notas, foi de apenas 0,1% a diferença entre mim e a segunda colocada.
Por isso, não importa aonde eu vá, sempre o carregarei comigo, pois ele é o símbolo de uma vitória impossível, o momento mais memorável da minha vida, que foi quando finquei raízes aqui em São Paulo, a maior colônia japonesa do mundo, e a vitória no karaokê veio para coroar tudo isso.
(Baseado no depoimento de Fumie Ishizuka, de 73 anos)
Poesia - Sthefani 6ªB
VIDA DE SORTE
VIDA DE ALEGRIA
O AMOR ENTRE NÓS
VIRA UMA FOLIA.
VOCÊ É O MEU LUAR
A ESTRELA QUE NO CÉU
VEJO A BRILHAR
VIDA DE VIDRO
É AQUELA QUE SE ENROSCA
POIS A MINHA NÃO!
A MINHA É AQUELA
QUE MOSTRA O CORAÇÃO
VOCÊ E EU DUAS PESSOAS
QUE NO AMOR,
ENLOUQUECEU-SE.
Poesia - Julia 6ªB
TENHO UM QUILO DE AMOR
MUITO RESPEITO E CARINHO
SOLIDARIEDADE NO CORAÇÃO
TEMOS QUE VIVER EM UNIÃO
CORAÇÃO SEMPRE ABERTO
PARA O QUE DER E VIER
NÃO ACEITES COVARDIA
DE UM BOBO OU UM “MANÉ”
TENHA UM CARÁTER
PARA SER RESPEITADO
SE FICAR SE JOGANDO
PARA LÁ OU PARA CÁ
NÃO SEJA MAL EDUCADO
EU SÓ QUERO PAZ, AMOR E VIVER
UMA SÓ VIDA ENTRE MILHARES
EU E VOCÊ
QUEM É BOM TEM UMA SEMENTE
PARA FICAR PRA SEMPRE
NO CORAÇÃO DA GENTE.
A SEMENTE DO BEM
DÁ FRUTOS E AMOR
A SEMENTE DO MAL
TRÁZ INVEJA
E MUITA DOR.
Poemas - Maynara Santos Cardoso e Nádia Abem Ambas da 8ªB
O amor é um sentimento
no qual a gente fica
sem palavras e ações,
para expressar o dom de amar
e unir os corações.
Quando a gente ama de
verdade só quer o
bem do seu amor.
Ficamos pensando e suspirando
no mundo do amor.
Pensando naquele alguém,
sem pensar em mais ninguém.
Texto de: Maynara Santos Cardoso e
Nádia Nami Abe, ambas da 8ªB
Crônicas - Anderson Serrani Mariano 8ª A
Um casal resolve ir ao cinema. Carla tem 29 anos e Carlos, 47.
Quando chegam à bilheteria, a vendedora diz:
- A sua filha é muito bonita.
O Carlos olha a moça e responde:
- Ela não é minha filha, é minha esposa.
A moça, com a maior vergonha, fala:
- Desculpe-me.
Carlos e Carla entram no cinema e riem que nem palhaços. Não param de rir do filme, que está muito engraçado. O filme é longo e não acaba mais. Dá para eles irem ao Japão e voltarem.
Depois de verem o “pequeno” filme, vão embora.
Três dias depois voltam ao cinema.
Na bilheteria, a mesma lombriguenta está lá e, na maior cara de pau, ela fala de novo:
Crônicas - Lucas Hideki Matuno 8ª A
O garoto foi a uma lanchonete só para comer um sanduíche e tomar um suco. Ele chegou e disse para o garçom:
- Garçom, me traz um x-egg e um suco de laranja.
E o garçom respondeu:
- Infelizmente, não temos o x-egg e o suco de laranja.
Quando o garoto ia sair da mesa, o garçom pegou o menu, mostrou-o para ele e disse:
- Temos x-salada, x-burguer e x-tudo. O suco, temos de limão, uva e abacaxi.
O garoto escolheu o x-salada e um suco de abacaxi.
O garçom anotou tudo e levou o pedido.
O garoto esperou alguns minutos. Depois, horas, até que resolveu reclamar:
- O lanche tá demorando, garçom.
O garçom falou para ele ter calma, dizendo que iria verificar o que estava acontecendo.
Depois de alguns minutos, o garçom voltou e disse:
- Vai sair daqui a pouco.
O garoto esperou, até que chegou o lanche, mas sem o suco.
O garoto, já impaciente, reclamou mais uma vez ao garçom:
- Tá faltando o suco!!
E lá se foi, de novo, o garçom.
O garoto resolveu ir ao banheiro. Quando voltou, o lanche não estava mais lá e ele perguntou:
- Cadê meu lanche!?
O garçom falou que não sabia. O garoto perguntou novamente sobre o suco e só então o garçom disse que não tinha.
Assim, o garoto deixou o dinheiro para pagar o lanche e foi embora. No dia seguinte o garoto estava passando em frente à lanchonete e não é que o garçom, que estava lá, ainda lhe perguntou:
Poemas - Luiz Fernando da 8ªC
Sinto que estou me torturando
numa sociedade de rotinas,
repletas de padrões comportamentais
cheias de preconceitos,
ela nos mede através do dinheiro:
tolo papel impresso que faz a comunidade sofrer.
Uma moradia digna de um ser humano, que não a pode obter, por falta de recursos,
escolas não podem ser freqüentadas, fadados a fome e frio e miséria.
Injusta é a sociedade que os inibe a falar, só sabe os condenar e excluir.
Cadê o socorro, a ajuda, mude seus padrões, suas regras para dar espaço a humanidade e compreensão.
Ensine-os!
A arte que habita todos nós de diferente forma.
Não faça dela tola e insignificante, pois ela é libertadora. Calá-la é o mesmo que desprezar, calar a si mesmo fechando-se para as belezas do mundo onde vivemos.